Metodologia de Cuidado Humanitude: Benefícios e desafios da sua implementação na prática

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31211/rpics.2021.7.1.200

Palavras-chave:

Cuidados, Cuidadores, Humanitude, Pessoas idosas, Estudo qualitativo

Resumo

Objetivo: Identificar os benefícios e desafios da implementação da Metodologia de Cuidado Humanitude (MCH) na prática dos cuidados em Estrutura Residencial para Idosos. Método: Trata-se de um estudo exploratório e descritivo de natureza qualitativa abrangendo uma amostra de três interlocutores com experiência na formação e implementação da MCH. A recolha de dados foi realizada através de um questionário misto, sendo as questões abertas interpretadas através da técnica da análise de conteúdo. Resultados: Os benefícios da MCH reportam-se às pessoas cuidadas (e.g., aumento da aceitação dos cuidados), aos cuidadores formais/colaboradores (e.g., redução do absentismo), bem como ao sistema organizacional (mudança da cultura dos cuidados). Os desafios colocam-se a nível interno (e.g., apropriação das técnicas, resistência à mudança) e externo (e.g., formação dos profissionais, organização dos cuidados centrados na tarefa). Conclusões: A MCH é uma abordagem centrada na interação com a pessoa cuidada, com benefícios transversais a todo o contexto organizacional. A sua implementação traduz oportunidades para a prática diária do cuidado, abrangendo as pessoas cuidadas e as equipas prestadoras de cuidados, surtindo influência no contexto organizacional. A MCH representa uma mudança no paradigma do cuidado, surgindo, no entanto, vários desafios à sua implementação na prática, pelo que se sugere um maior envolvimento de todos os interlocutores do cuidado, nomeadamente dos líderes formais das instituições e dos agentes das políticas públicas.

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Publicado

2021-05-31

Como Citar

Fonseca, C., Luz, H., & Cândida Melo, R. (2021). Metodologia de Cuidado Humanitude: Benefícios e desafios da sua implementação na prática . Revista Portuguesa De Investigação Comportamental E Social, 7(1), 14–24. https://doi.org/10.31211/rpics.2021.7.1.200

Edição

Secção

Artigo Original