Estilo de vida dos adolescentes e jovens adultos e comportamentos desviantes e delinquentes: Das vivências familiares, escolares e individuais

  • Sónia Maria Martins Caridade Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Centro de Investigação em Ciências Sociais e do Comportamento; Observatório Permanente Violência e Crime. Universidade Fernando Pessoa https://orcid.org/0000-0003-0387-7900
  • Ana Cristina Martins Universidade Fernando Pessoa
  • Laura Nunes Universidade Fernando Pessoa
Palavras-chave: Estilo de vida, Comportamentos delinquentes, Comportamentos desviantes, Adolescentes, Jovens adultos, Estudo de levantamento descritivo

Resumo

Objetivo: O conhecimento do estilo de vida dos jovens revela-se fundamental para a identificação e intervenção nos comportamentos de risco e na promoção de oportunidades de desenvolvimento dos jovens. Neste sentido, o presente trabalho tem por objetivo a caraterização do estilo de vida dos jovens e dos seus eventuais comportamentos desviantes e delinquentes.

Método: A amostra foi constituída por 80 jovens (M = 19 anos; DP= 2,60), sendo 56% rapazes. Para efeito da recolha de dados recorreu-se a um inquérito por questionário construído para o efeito do presente estudo.

Resultados: Os inquiridos relataram inexistência de supervisão parental, falta de imposição de regras, existência de conflitos com os pares, professores e funcionários, bem como ausência de hábitos de estudo e de atividades extracurriculares; admitiram, ainda, passar mais tempo entre pares do que com os familiares. Admitiram, ainda, ter já adotado diferentes condutas desviantes e delinquentes ou mesmo criminais (e.g., agressões para com colegas, professores e funcionários, causar dano intencional em objetos de outros, estar envolvidos em grupos de pares desviantes, invadir propriedades privadas, e participar em furtos, e em tráfico de droga). Estes comportamentos foram mais assumidos por rapazes.

Conclusões: Importa, deste modo, que os esforços de prevenção da delinquência considerem o grupo de jovens que precocemente manifestam comportamentos desviantes, dado o seu maior risco para o desenvolvimento de futuras formas de inadaptação social, incidindo igualmente sobre o meio escolar e familiar.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Almeida-Paiva, M. O., & Lourenço, A. A. (2010). Comportamentos disruptivos e sucesso académico: A importância de variáveis psicológicas e de ambiente. Revista Argentina de Ciencias del Comportamiento, 2(2), 18–31. [Google Scholar] [URL]

Amaral, I., Reis, B., Lopes, P., & Quintas, C. (2017). Práticas e consumos dos jovens portugueses em ambientes digitais. Estudos em Comunicação, 2017(24), 107–131. [Google Scholar] [CrossRef]

Barbosa-Ducharne, M., Cruz, O., Marinho, S., & Grande, C. (2012). Estilos de vida adolescente: Exploração de rotinas diárias à semana e ao fim de semana. Revista Amazônica, 8(1), 149–172. [Google Scholar] [URL]

Batista, V., Carvalho, S., Pontes, T., & Antunes, H. (2015). Consumo de droga entre adolescentes institucionalizados [Abstract]. Nascer e Crescer - Revista de Pediatria do Centro Hospitalar do Porto, 24(Suppl. 2), S12. [Google Scholar] [CrossRef]

Bidarra, M. G. A., Vaz-Rebelo, M. P., Barreira, C. M. F., Alferes, V. A. R., & Pereira, A. C. C. (2017). Autoconceito, hábitos de estudo, procrastinação e rendimento escolar: Que relação? Revista de Estudios e Investigación en Psicología y Educcación, Extr.(1), 174–175. [Google Scholar] [CrossRef]

Born, M. (2005). Psicologia da delinquência. Lisboa: Climepsi Editores. [Google Scholar]

Braga, T., & Gonçalves, R. J. A. C. (2013). Delinquência juvenil: Da caracterização à intervenção. Revista de Psicologia da Criança e do Adolescente, 4(1), 95–116. [Google Scholar] [URL]

Braga, T., Gonçalves, L. C., Basto-Pereira, M., & Maia, Â. (2017). Unraveling the link between maltreatment and juvenile antissocial behavior: A meta-analysis of prospective longitudinal studies. Aggression and Violent Behavior, 33, 37–50. [Google Scholar] [CrossRef]

Braga, T., Pechorro, P., Jesus, S. N., & Gonçalves, R. A. (2018). Autoestima, narcisismo e dimensões de delinquência juvenil: Que relação? Análise Psicológica, 36(2), 145–157. [Google Scholar] [CrossRef]

Cardoso, L. R. D., & Malbergier, A. (2014). A influência dos amigos no consumo de drogas entre adolescentes. Estudos de Psicologia (Campinas), 31(1), 65–73. [Google Scholar] [CrossRef]

Carvalho, M. J. L. (2005). Jovens e delinquências: (Sobre)vivências na família. Psicologia, 18(2), 129–158. [Google Scholar] [PDF]

Carvalho, M. J. L. (2010). Do outro lado da cidade: Crianças, socialização e delinquência em bairros de realojamento (Doctoral dissertation, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa). [Google Scholar] [URL]

Carvalho, M. J. L., & Duarte, V. M. (2013). Crianças, jovens e a cidade: Riscos, violências e delinquências em Portugal. Latitude, 7(2), 133–166. [Google Scholar] [CrossRef]

Chesney-Lind, M. (1997). The female offender: Girls, women, and crime. Thousand Oaks, CA: Sage Publications. [Google Scholar]

Cho, S., Wooldredge, J., & Park, C. S. (2016). Lifestyles/routine activities and bullying among South Korean youths. Victims & Offenders, 11(2), 285–314. [Google Scholar] [CrossRef]

Cohen, J. (1988). Statistical power analysis for the behavioral sciences (2nd ed.). New York, NY: Lawrence Erlbaum Associates. [Google Scholar]

Conde, R., & Teixeira S. (2018). Delinquência juvenil em Portugal: Estudo qualitativo das histórias de vida de jovens reclusos. Revista Psicologia, Diversidade e Saúde, 7(1), 78–90. [Google Scholar] [CrossRef]

Cunha, C., Soares, M., Veríssimo, L., & Matos, R. (2015). Família, pares e delinquência juvenil: Análise de diferentes percursos de reincidência. Revista de Psicología, 24(2), 1–18. [Google Scholar] [CrossRef]

Dalosto, M. M., & Alencar, E. M. L. S. (2013). Manifestações e prevalência de bullying entre alunos com altas habilidades/superdotação. Revista Brasileira de Educação Especial, 19(3), 363–378. [Google Scholar] [CrossRef]

Dias, I. (2016). Inquérito de vitimação. In R. L. Maia, L. M. Nunes, S. Caridade, A. I. Sani, R. Estrada, C. Nogueira, H. Fernandes, & L. Afonso (Eds.), Dicionário: Crime, justiça e sociedade (pp. 269–270). Lisboa: Edições Sílabo.

Duarte, V. M. (2013). Discursos e percursos na delinquência juvenil feminina. Lisboa: Edições Húmus. [Google Scholar]

Duarte, V. M., & Carvalho, M. J. L. (2012). (Entre) olhares sobre a delinquência juvenil no feminino. Ex æquo, 2012(28), 31–44. [Google Scholar] [PDF]

Espirito-Santo, H., & Daniel, F. B. (2015). Calcular e apresentar tamanhos do efeito em trabalhos científicos (1): As limitações do p < 0,05 na análise de diferenças de médias de dois grupos. Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, 1(1), 3-16. [Google Scholar] [CrossRef]

Farrington, D. P., Gaffney, H., & Ttofi, M. M. (2016). Systematic reviews of explanatory risk factors for violence, offending, and delinquency. Aggression and Violent Behavior, 33, 24–36. [Google Scholar] [CrossRef]

Fonseca, A. C. (2013). Consumo de drogas e comportamentos antissociais na adolescência: Que relação? Revista Portuguesa de Pedagogia, 47(1), 157–176. [Google Scholar] [CrossRef]

Forsyth, C. J., Dick, S. J., Chen, J., Biggar, R. W., Forsyth, Y. A., & Burstein, K. (2018). Social psychological risk factors, delinquency and age of onset. Criminal Justice Studies, 31(2), 178–191. [Google Scholar] [CrossRef]

Garcia, J. (2006). Indisciplina, incivilidade e cidadania na escola. Educação Temática Digital, 8(1), 121–130. [Google Scholar] [PDF]

Gersão, E., & Lisboa, M. (1994). The self-report delinquency study in Portugal. In J. Junger-Tas, G.-J. Terlouw, & M. W. Klein (Eds.), Delinquent behaviour among young people in the western world: First results of the International Self-report Delinquency Study (pp. 212–237). Amsterdam, NY: Kugler Publications. [Google Scholar]

Gomes, H. M. S., & Gouveia-Pereira, M. (2014). Funcionamento familiar e delinquência juvenil: A mediação do autocontrolo. Análise Psicológica, 32(4), 439–451. [Google Scholar] [CrossRef]

Gottfredson, M., & Hirschi, T. (1990). A general theory of crime. Stanford, CA: Stanford University Press. [Google Scholar]

Hipwell, A. E., & Loeber, R. (2006). Do we know which interventions are effective for disruptive and delinquent girls? Clinical Child and Family Psychology Review, 9(3-4), 221–255. [Google Scholar] [CrossRef]

Içli, T. G., & Çoban, S. (2012). A study on the effects of family and deliquent peers on juvenile delinquency in Turkey. Advances in Applied Sociology, 2(1), 66–72. [Google Scholar] [CrossRef]

Instituto Nacional de Estatística. (2017). Online database. [Acessed 10 May 2018] [URL]

Leão, L. G. R. (2010). O fenômeno bullying no ambiente escolar. Revista FACEVV, 4, 119–135. [Google Scholar]

Malta, D. C., Mascarenhas, M. D. M., Porto, D. L., Duarte, E. A., Sardinha, L. M., Barreto, S. M., & Morais Neto, O. L. (2011). Prevalence of alcohol and drug consumption among adolescents: Data analysis of the National Survey of School Health. Revista Brasileira de Epidemiologia, 14(Suppl. 1), 136–146. [Google Scholar] [CrossRef]

Marôco, J. (2010). Análise estatística com o PASW Statistics (ex-SPSS). Pêro Pinheiro: ReportNumber. [Google Scholar]

Matos, R. (2008). Vidas raras de mulheres comuns: Percursos de vida, significações do crime e construção da identidade em jovens reclusas. Coimbra: Almedina. [Google Scholar]

Meldrum, R. C., Young, J. T. N., Hay, C., & Flexon, J. L. (2012). Does self-control influence maternal attachment? A reciprocal effects analysis from early childhood through middle adolescence. Journal of Quantitative Criminology, 28(4), 673–699. [Google Scholar] [CrossRef]

Mendes, S. M., & Carvalho, S. (2010). Portugal. In J. Junger-Tas, I. H. Marshall, D. Enzmann, M. Killias, M. Steketee, & B. Gruszczynska (Eds.), Juvenile delinquency in Europe and beyond: Results of the second international self-report delinquency study (pp. 205–212). New York, NY: Springer. [Google Scholar] [CrossRef]

Negreiros, J. (2008). Delinquência juvenis – Trajectórias, intervenção e prevenção. Porto: Livpsic, Legis Editora.

Negreiros, J. (2016). Delinquência. In R. L. Maia, L. M. Nunes, S. Caridade, A. I. Sani, R. Estrada, C. Nogueira, H. Fernandes, & L. Afonso (Coords.), Dicionário: Crime, justiça e sociedade (1st ed., pp. 140–150). Lisboa: Edições Sílabo.

Newman, K., Harrison, L., Dashiff, C., & Davies, S. (2008). Relationships between parenting styles and risk behaviors in adolescent health: An integrative literature review. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 16(1), 142–150. [Google Scholar] [CrossRef]

Nunes, L. M., Beça, S., & Dinis, M. A. P. (2017). Drug abuse and trafficking in universities: An emerging social phenomenon. In J. A. Jaworski (Ed.), Advances in Sociology Research (Vol. 23, pp. 179–192). New York, NY: Nova Science Publishers.

Nunes, L. M., Caridade, S., & Sani, A. I. (2017). Incivilities and delinquency in schools: A social phenomenon in analysis. In J. A. Jaworski (Ed.), Advances in sociology research (Vol. 23, pp. 193–207). New York, NY: Nova Science Publishers.

Nunes, L. M., & Trindade, J. (2015). Delinquência: Percursos criminais – Desenvolvimento, controle, espaço físico e desorganização social (1st ed.). Porto Alegre: Livraria do Advogado. [Google Scholar]

Pauwels, L., & Svensson, R. (2009). Adolescent lifestyle risk by gender and ethnic background: Findings from two urban samples. European Journal of Criminology, 6(1), 5–23. [Google Scholar] [CrossRef]

Pechorro, P., Marôco, J., Vieira, R. X., Oliveira, J. P., & Gonçalves, R. A. (2015). Delinquência juvenil: Um estudo comparativo de rapazes institucionalizados. Revista de Psicologia da Criança e do Adolescente, 6(2), 59–75. [Google Scholar]

Pimenta, S., & Nunes, L. M. (2017). A escola como espaço de violência e incivilidades: O meio, a arquitetura e a caraterização espacial. In L. M. Nunes, A I. Sani, R. L. Maia, S. Caridade, F. Viana, & R. Estrada (Coords.), Crime e segurança nas cidades contemporâneas (121–138). Porto: Fronteira do Caos.

Pujazon-Zazik, M., & Park, M. J. (2010). To tweet, or not to tweet: Gender differences and potential positive and negative health outcomes of adolescents’ social internet use. American Journal of Men’s Health, 4(1), 77–85. [Google Scholar] [CrossRef]

Rosenthal, R. (1991). Meta-analytic procedures for social research (Revised edition). Newbury Park, California: Sage publications. [Google Scholar]

Sani, A., Nunes, L. M., & Caridade, S. (2016). Child exposure to domestic violence: The risk of drug abuse and dating violence. In M. Ortiz (Ed.), Domestic violence: Prevalence, risk factors and perspectives (pp. 69–82). USA: Nova Science Publishers, Inc. [Google Scholar]

Simões, S., Ferreira, J. J., Braga, S., & Vicente, H. T. (2015). Bullying, vinculação e estilos educativos parentais em adolescentes. Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, 1(1), 30–41. [Google Scholar] [CrossRef]

Sintra, C. I. F., & Formiga, N. S. (2012). Condutas desviantes e habilidades sociais em jovens portugueses toxicodependentes e não-toxicodependentes. Encontro: Revista de Psicologia, 15(23), 9–25. [Google Scholar]

Svensson, R., & Pauwels, L. (2010). Is a risky lifestyle always "risky"? The interaction between individual propensity and lifestyle risk in adolescent offending: A test in two urban samples. Crime & Delinquency, 56(4), 608–626. [Google Scholar] [CrossRef]

Walters, G. D. (1990). The criminal lifestyle: Patterns of serious criminal conduct. Newbury Park, CA: Sage Publications. [Google Scholar] [CrossRef]

Walters, G. D. (2016). Proactive criminal thinking and deviant identity as mediators of the peer influence effect. Youth Violence and Juvenile Justice, 15(3), 281–298. [Google Scholar] [CrossRef]

Walters, G. D. (2017). Mediating the relationship between parental control/support and offspring delinquency: Self-efficacy for a conventional lifestyle versus self-efficacy for deviance. Crime & Delinquency, 64(5), 606–624. [Google Scholar] [CrossRef]

Publicado
2019-02-28
Como Citar
Caridade, S. M. M., Martins, A. C., & Nunes, L. (2019). Estilo de vida dos adolescentes e jovens adultos e comportamentos desviantes e delinquentes: Das vivências familiares, escolares e individuais. Revista Portuguesa De Investigação Comportamental E Social, 5(1), 40-60. https://doi.org/10.31211/rpics.2019.5.1.106
Secção
Artigo Original