Estudo fatorial exploratório das dimensões comportamentais de adesão em pessoas com diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2

  • Ilda Maria Massano-Cardoso Instituto Superior Miguel Torga /Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra/Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra (CEISUC)-FEUC http://orcid.org/0000-0003-2510-2348
  • Fernanda Bento Daniel Instituto Superior Miguel Torga /Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra (CEISUC)-FEUC/Centro de Investigação e Estudos de Sociologia - ISCTE - IUL http://orcid.org/0000-0002-2202-1123
  • Vitor Rodrigues Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
  • Manuela Carvalheiro Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra

Resumo

Objetivos: Vários têm sido os modelos ou teorias explicativas na identificação das dimensões comportamentais que determinam a tendência dos indivíduos para aderirem ou não às recomendações terapêuticas na diabetes. Neste trabalho pretendemos, através de uma análise fatorial exploratória, analisar quais as dimensões comportamentais associadas à adesão em pessoas com diabetes mellitus (DM). Adicionalmente, foi nosso objetivo testar o modelo teórico composto por três grandes fatores: internos, relacionais e externos ao paciente.

Participantes: 347 doentes a frequentar consultas de diabetes do Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo no Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC) e na Associação Portuguesa de Diabéticos de Portugal (APDP) que, voluntariamente, e mediante consentimento informado, aceitaram colaborar connosco no preenchimento de uma bateria de testes constituída por instrumentos de autorresposta.

Resultados: A estrutura fatorial encontrada no caso da DM tipo 1 é de seis componentes com uma variância total explicada de 70,84% na DM tipo 2 com tratamento insulínico é de sete componentes com uma variância total explicada de 74,94% e no caso da DM tipo 2 com tratamento oral o número de componentes é de seis com uma variância total explicada de 73,42%.

Conclusões: Concluiu-se que as saturações mais elevadas correspondem aos construtos a que teoricamente deveriam pertencer. Na DM tipo 1 o fator "terapêutico" desaparece, associando-se ao “autocuidado” e na DM tipo 2 oral, esta componente emerge como uma dimensão. Da análise forçada a dois fatores podemos concluir que o "suporte social" não satura de forma adequada no fator relacional, mas sim no fator interno. Levou-nos então a refletir não sobre o modelo propriamente dito, mas sim da pertinência da escolha do instrumento para a mensuração do suporte social. Apesar das excelentes qualidades psicométricas da escala por nós escolhida, o instrumento apresenta itens redigidos para a avaliação da satisfação social percebida e não tanto sobre as relações sociais. Conseguimos encontrar uma explicação baseada na multidimensionalidade do atributo onde a estrutura interna e semântica condicionaram os nossos resultados.

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Publicado
2017-02-28
Como Citar
Massano-Cardoso, I. M., Daniel, F. B., Rodrigues, V., & Carvalheiro, M. (2017). Estudo fatorial exploratório das dimensões comportamentais de adesão em pessoas com diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2. Revista Portuguesa De Investigação Comportamental E Social, 3(1), 41-52. https://doi.org/10.7342/ismt.rpics.2017.3.1.47
Secção
Artigo Original