Autoconsciência e investimento esquemático da aparência em indivíduos com deficiência visual

Palavras-chave: Autoconsciência da Aparência, Deficiência Visual, Investimento Esquemático da Aparência, Afeto Positivo, Afeto Negativo

Resumo

Objetivo: A Autoconsciência da Aparência tem sido alvo de recente investigação em vários contextos, sendo desconhecidos estudos realizados em indivíduos com deficiência visual. Propõe-se com este estudo, compreender a Autoconsciência da Aparência em pessoas com deficiência visual.

Método: Participaram 104 indivíduos (43 com cegueira congénita, 19 com baixa visão congénita, 23 com cegueira adquirida e 19 com baixa visão adquirida) que responderam a um conjunto de questionários quer disponibilizados on-line, quer de forma presencial, tendo sido adicionada a opção de resposta "não se aplica" em todos os itens da versão reduzida da Derriford Appearance Scale (DAS-24) e Appearance Scale Inventory (ASI-R).

Resultados: Todos os instrumentos utilizados apresentaram bons índices de consistência interna. Não se verificaram diferenças significativas no Investimento Esquemático e Autoconsciência da Aparência entre os tipos de deficiência visual. Os participantes com baixa visão congénita e baixa visão adquirida, apresentaram maior desconforto com a sua aparência, em comparação com os participantes com cegueira congénita e cegueira adquirida. O Afeto Negativo revelou-se preditor do investimento esquemático e autoconsciência da aparência.

Conclusões: Preocupações da aparência em indivíduos com deficiência visual são generalizadas, ocorrendo internalização dos ideais do corpo também em sujeitos sem visão. O Afeto Negativo é um preditor do Investimento Esquemático e Autoconsciência da Aparência.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia Autor

José Carlos da Silva Mendes, INTELECTO - Psicologia & Investigação

Especialista em Psicologia Clínica e Saúde e Doutorado pelo Instituto Superior Psicologia Aplicada.

Referências

Alves, M. L. T., & Duarte, E. (2008). Imagem corporal e deficiência visual: Um estudo bibliográfico das relações entre a cegueira e o desenvolvimento da imagem corporal. Acta Scientiarum. Human and Social Sciences, 30(2), 147–154. [Google Scholar] [CrossRef]

Behrmann, M., Moscovitch, M., & Winocur, G. (1994). Intact visual imagery and impaired visual perception in a patient with visual agnosia. Journal of Experimental Psychology: Human Perception and Performance, 20(5), 1068–1087. [Google Scholar] [CrossRef]

Carr, T., Moss, T., & Harris, D. (2005). The DAS24: A short form of the Derriford Appearance Scale DAS59 to measure individual responses to living with problems of appearance. British Journal of Health Psychology, 10(2), 285–298. [Google Scholar] [CrossRef]

Cash, T. (2004). Body image: Past, present, and future. Body Image, 1(1), 1–5. [Google Scholar] [CrossRef]

Cash, T., Melnyk, S., & Hrabosky, J. (2004). The assessment of body image investment: An extensive revision of the appearance schemas inventory. International Journal of Eating Disorders, 35(3), 305–316. [Google Scholar] [CrossRef]

Cimarolli, V., & Boerner, K. (2005). Social support and well-being in adults who are visually impaired. Journal of Visual Impairment & Blindness, 99(9), 521–534. [Google Scholar] [PDF]

Eiras, L. F. G., Amorim, B. B., Carmo, N. M., & Russo, M. M. (2012). Construção da imagem corporal em deficientes visuais. Arquivos em Movimento, 8(2), 94–110. [Google Scholar] [PDF]

El Ansari, W., Vodder Clausen, S., Mabhala, A., & Stock, C. (2010). How do I look? Body image perceptions among university students from England and Denmark. International Journal of Environmental Research and Public Health, 7(2), 583–595. [Google Scholar] [CrossRef]

Espírito-Santo, H., & Daniel, F. (2015). Calcular e apresentar tamanhos do efeito em trabalhos científicos (1): As limitações do p < 0,05 na análise de diferenças de médias de dois grupos. Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, 1(1), 3–16. [Google Scholar] [CrossRef]

Espírito-Santo, H., & Daniel, F. (2018). Calcular e apresentar tamanhos do efeito em trabalhos científicos (3): Guia para reportar os tamanhos do efeito para análises de regressão e ANOVAs. Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, 4(1), 43–60. [Google Scholar] [CrossRef]

Galinha, I. C., & Pais-Ribeiro, J. L. (2005). Contribuição para o estudo da versão portuguesa da Positive and Negative Affect Schedule (PANAS): II – Estudo psicométrico. Análise Psicológica, 23(2), 219–227. [Google Scholar] [CrossRef]

Galinha, I. C., Pereira, C. R., & Esteves, F. (2014). Versão reduzida da escala portuguesa de afeto positivo e negativo – PANAS-VRP: Análise fatorial confirmatória e invariância temporal. Psicologia, 28(1), 53–65. [Google Scholar] [CrossRef]

González, R. P., Benito, J. C., & Veiga, P. D. (2004). Deficiencia visual. Aspectos conceptuales y repercusiones funcionales. In J. C. Benito, P. D. Veiga, & R. P. González (Coords.), Psicología y ceguera: Manual para la intervención psicológica en el ajuste a la deficiencia visual. Madrid, Spain: Organización Nacional de Ciegos Españoles. [Google Scholar]

Grogan, S. (2017). Body Image: Understanding body dissatisfaction in men, women and children (3rd ed.). New York: NY: Routledge. [Google Scholar]

Harris, D., & Carr, A. (2001). Prevalence of concern about physical appearance in the general population. British Journal of Plastic Surgery, 54(3), 223–226. [Google Scholar] [CrossRef]

Kaodoinski, F., & Toniazzo, F. R. (2017). Deficiência visual, interação e desenvolvimento da linguagem. SCRIPTA, 21(41), 185–203. [Google Scholar] [CrossRef]

Kaplan-Myrth, N. (2000). Alice without a looking glass: Blind people and body image. Anthropology & Medicine, 7(3), 277–299. [Google Scholar] [CrossRef]

Marôco, J. (2010). Análise estatística com o PASW Statistics (ex-SPSS). Pêro Pinheiro: ReportNumber. [Google Scholar]

Marôco, J., & Garcia-Marques, T. (2006). Qual a fiabilidade do alfa de Cronbach? Questões antigas e soluções modernas? Laboratório de Psicologia, 4(1), 65–90. [Google Scholar] [URL]

Mendes, J. C. S. (2017). Fatores determinantes no ajustamento psicológico ao desfiguramento facial adquirido: A importância da autorregulação, representação cognitiva, emoções e autoconceito (Doctoral dissertation, ISPA – Instituto Universitário, Lisboa). [Google Scholar] [Research Gate]

Mendes, J., Figueiras, M., Moreira, H., & Moss, T. (2016). Análise fatorial da versão portuguesa da Escala de Avaliação da Aparência de Derriford (DAS-24). Psychology, Community & Health, 5(1), 31–43. [Google Scholar] [CrossRef]

Mendes, J., & Pereira, V. (2018). Versão portuguesa reduzida da Escala de Avaliação da Aparência de Derriford (DAS-14): Análise fatorial exploratória e confirmatória. Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, 4(2), 25–32. [Google Scholar] [CrossRef]

Moreira, H., & Canavarro, M. C. (2007). The Portuguese version of the Derriford Appearance Scale – 24. Unpublished manuscript, Departamento de Psicologia, Universidade de Coimbra, Portugal.

Mosquera, C., Fernandes, L., Grzelczak, M., & Arruda, M. (2014). Orientação e mobilidade: A imagem corporal como pré-requisito. InCantare, 5, 7–19. [Google Scholar] [PDF]

Moss, T. P., & Rosser, B. A. (2012). The moderated relationship of appearance valence on appearance self consciousness: Development and testing of new measures of appearance schema components. PLoS ONE, 7(11), e50605. [Google Scholar] [CrossRef]

Nazaré, B., Moreira, H., & Canavarro, M. C. (2010). Uma perspectiva cognitivo-comportamental sobre o investimento esquemático na aparência: Estudos psicométricos do Inventário de Esquemas sobre a Aparência (ASI-R). Laboratório de Psicologia, 8(1), 21–36. [Google Scholar] [PDF]

Noronha, A. P. P., Martins, D. F., Campos, R. R. F., & Mansão, C. S. M. (2015). Relações entre afetos positivos e negativos e os cinco fatores de personalidade. Estudos de Psicologia, 20(2), 92–101. [Google Scholar] [CrossRef]

Nunes, S. S., & Lomônaco, J. F. B. (2008). Desenvolvimento de conceitos em cegos congênitos: Caminhos de aquisição do conhecimento. Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE), 12(1), 119–138. [Google Scholar] [CrossRef]

Oliveira, C. M., & Nunes, C. H. S. S. (2015). Instrumentos para avaliação psicológica de pessoas com deficiência visual: Tecnologias para desenvolvimento e adaptação. Psicologia: Ciência e Profissão, 35(3), 886–899. [Google Scholar] [CrossRef]

Peres, R. J., Espírito‐Santo, G., Espírito, F. R., Ferreira, N. T., & Assis, M. R. (2015). Insatisfação com a imagem corporal entre pessoas com deficiência visual. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 37(4), 362–366. [Google Scholar] [CrossRef]

Pitano, S. C., & Noal, R. E. (2018). Cegueira e representação mental do conhecimento por conceitos: Comparação entre cegos congênitos e adquiridos. Educação Unisinos, 22(2), 128-137. [Google Scholar] [CrossRef]

Rebouças, C., Araújo, M. M., Braga, F. C., Fernandes, G. T., & Costa, S. C. (2016). Avaliação da qualidade de vida de deficientes visuais. Revista Brasileira de Enfermagem, 69(1), 72–78. [Google Scholar] [CrossRef]

Robinson, B. L., & Lieberman, L. J. (2004). Effects of visual impairment, gender, and age on self-determination. Journal of Visual Impairment and Blindness, 98(60), 350–366. [Google Scholar] [PDF]

Rumsey, N., & Harcourt, D. (2005). The psychology of appearance. Maidenhead, England; New York: Open University Press. [Google Scholar]

Smedema, S. M., & McKenzie, A. R. (2010). The relationship among frequency and type of internet use, perceived social support, and sense of well-being in individuals with visual impairments. Disability and Rehabilitation, 32(4), 317–325. [Google Scholar] [CrossRef]

Stuart, M. E., Lieberman, L., & Hand, K. E. (2006). Beliefs about physical activity among children who are visually impaired and their parents. Journal of Visual Impairment & Blindness, 100(4), 223–234. [Google Scholar] [PDF]

Watson, D., Clark, L., & Tellegen, A. (1988). Development and validation of brief measures of positive and negative affect: The PANAS scales. Journal of Personality and Social Psychology, 54(6), 1063–1070. [Google Scholar] [CrossRef]

Publicado
2019-02-13
Como Citar
Mendes, J. C. da S., Alcaidinho, D., & Alcaidinho, M. (2019). Autoconsciência e investimento esquemático da aparência em indivíduos com deficiência visual. Revista Portuguesa De Investigação Comportamental E Social, 5(1), 1-13. https://doi.org/10.31211/rpics.2019.5.1.99
Secção
Artigo Original