Perceções da violência obstétrica pelas parturientes e profissionais de saúde: uma revisão scoping

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31211/rpics.2022.8.2.271

Palavras-chave:

Violência obstétrica, Profissionais de saúde, Mulheres, Sociedade, Estudo de revisão

Resumo

Contexto: A violência obstétrica é um conceito multifatorial que envolve diversos atores, nomeadamente profissionais de saúde, parturientes e instituições de saúde, com influência direta sobre a sua definição e sobre o seu entendimento. Objetivo: Apresentar uma perspetiva holística do conceito violência obstétrica através da pesquisa e análise de estudos empíricos realizados com profissionais de saúde (e.g., enfermeiros, médicos, entre outros) e parturientes. Métodos: realização de uma revisão scoping, para a qual se estabeleceu como conceito base o de violência obstétrica. A pesquisa foi realizada nas plataformas Scopus, Web of Science e b-on. Resultados: Obedecendo aos critérios de inclusão definidos foram analisados 18 estudos. Os resultados agruparam-se em torno das perspetivas de três atores: parturientes, profissionais de saúde e instituições. Destacou-se a falta de informação; não obtenção do consentimento informado; uso de discursos depreciativos; recurso ao abuso físico, verbal e psicológica; violação dos direitos da mulher; falta de formação; humanização por parte de alguns profissionais de saúde; e limitações nas instituições e serviços de saúde, como os fatores que são mais identificados/relacionados com a violência obstétrica. Conclusões: O presente estudo contribuiu para reforçar a necessidade de se clarificar e uniformizar o conceito de violência obstétrica junto dos profissionais e sociedade em geral e fundamentar a importância do desenvolvimento de um instrumento capaz de avaliar a experiência das parturientes relativamente à violência obstétrica a partir da sua experiência.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Alexandria, S., Oliveira, M., Alves, S., Bessa, M., Albuquerque, G., & Santana, M. (2019). Obstetric violence under the perspective of nursing professionals of the birth care. Cultura de los Cuidados, 23(53), 119–128. https://doi.org/jf3b

Annborn, A., & Finnbogadóttir, H. R. (2022). Obstetric violence a qualitative interview study. Midwifery, 105, 1–7. https://doi.org/gnq8kh

Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto. (s.d.). Campanha ‘pelo fim da violência obstétrica’. https://bit.ly/3ruxh9S

Brandão, T., Cañadas, S., Galvis, A., de los Ríos, M. M., Meijer, M., & Falcon, K. (2018). Childbirth experiences related to obstetric violence in public health units in Quito, Ecuador. International Journal of Gynecology and Obstetrics, 143(1), 84–88. https://doi.org/gj7hrz

Brilhante, A. V., Bastos, M. H., Giordano, J. C., Katz, L., & Amorim, M. M. (2021). Obstetric violence and medical education. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, 21(3), 965–966. https://doi.org/g9gb

Castro, A., & Savage, V. (2019). Obstetric violence as reproductive governance in the Dominican Republic. Medical Anthropology: Cross Cultural Studies in Health and Illness, 38(2), 123–136. https://doi.org/jf29

Castro, R., & Frías, S. M. (2020). Obstetric violence in Mexico: Results from a 2016 national household survey. Violence Against Women, 26(6–7), 555–572. https://doi.org/gj7hrx

Chadwick, R. (2017). Ambiguous subjects: Obstetric violence, assemblage and South African birth narratives. Feminism & Psychology, 27(4), 489–509. https://doi.org/gcqvjk

Chadwick, R. (2021). Breaking the frame: Obstetric violence and epistemic rupture. Agenda, 35(3), 104–115. https://doi.org/jf98

Chattopadhyay, S., Mishra, A., & Jacob, S. (2018). ‘Safe’, yet violent? Women’s experiences with obstetric violence during hospital births in rural Northeast India. Culture, Health & Sexuality, 20(7), 815–829. https://doi.org/gghvv8

Cifre, R. L., Pérez, V. F., & Àlvarez, X. C. (2019). Violencia obstétrica. La perspectiva de mujeres que la han sufrido. Investigaciones Feministas, 10(1), 167–184. https://doi.org/fs4k

Council of Europe. (2017). Women’s sexual and reproductive health and rights in Europe. Council of Europe; https://go.coe.int/wxIue.

D’Gregorio, R. (2010). Obstetric violence: A new legal term introduced in Venezuela. International Journal of Gynecology & Obstetrics, 111(3), 201–202. https://doi.org/cvk2r7

Dwekat, I. M. M., Tengku Ismail, T. A., Ibrahim, M. I., & Ghrayeb, F. (2021). Exploring factors contributing to mistreatment of women during childbirth in West Bank, Palestine. Women and Birth, 34(4), 344-351. https://doi.org/jf28

Egan, L. A. V., Gutierrez, M. A., Santiago, R. V., & Fernández, M. Á. L. (2016). ¿De qué hablamos cuando hablamos de violencia obstétrica? Revista CONAMED, 21(1), 7–25. https://bit.ly/3CDgk3o

Faneite, J., Feo, A., & Merlo, J. T. (2012). Degree of knowledge of obstetric violence by health personnel. Revista de Obstetricia y Ginecologia de Venezuela, 72(1), 4–12. https://bit.ly/3rBlQNx

Gray, T., Mohan, S., Lindow, S., & Farrell, T. (2019). Obstetric violence: Clinical staff perceptions from a video of simulated practice. European Journal of Obstetrics and Gynecology and Reproductive Biology, 10, 1, 1–5. https://doi.org/jf27

Gray, T., Mohan, S., Lindow, S., Pandey, U., & Farrell, T. (2021). Obstetric violence: Comparing medical student perceptions in India and the UK. European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology, 261, 98–102. https://doi.org/jf99

Jardim, D. M. B., & Modena, C. M. (2018). Obstetric violence in the daily routine of care and its characteristics. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 26, 1–12. https://doi.org/gfqttg

Katz, L., Amorim, M. M., Giordano, J. C., Bastos, M. H., & Brilhante, A. V. M. (2020). Who is afraid of obstetric violence? Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, 20(2), 627–631. https://doi.org/jf26

Kukura, E. (2018). Obstetric violence. Georgetown Law Journal, 106(3), 721–801. https://bit.ly/3CEW9Sw

Martín-Badia, J., Obregón-Gutiérrez, N., & Goberna-Tricas, J. (2021). Obstetric Violence as an infringement on basic bioethical principles. Reflections inspired by focus groups with midwives. International Journal of Environmental Research and Public Health, 18, 1–15. https://doi.org/jf25

Mena-Tudela, D., Iglesias-Casas, S., González-Chordá, V. M., Cervera-Gasch, Á., Andreu-Pejó, L., & Valero-Chilleron, M. J. (2020). Obstetric violence in Spain (Part I): Women’s perception and interterritorial differences. International Journal of Environmental Research and Public Health, 17, 1–14. https://doi.org/jf24

Mena-Tudela, D., Iglesias-Casás, S., González-Chordá, V. M., Valero-Chillerón, M. J., Andreu-Pejó, L., & Cervera-Gasch, Á. (2021). Obstetric violence in Spain (Part III): Healthcare professionals, times and areas. International Journal of Environmental Research and Public Health, 18, 1–17. https://doi.org/jf23

Menezes, F., Reis, G., Sales, A., Jardim, D., & Lopes, T. (2020). The obstetric nursing residents’ view on obstetric violence in institutions. Interface-Comunicacão Saúde Educacão, 24, 1–14. https://doi.org/jf22

Morales, X. B., Chaves, L. V. E., & Delgado, C. E. Y. (2018). Neither medicine nor health care staff members are violent by nature: Obstetric violence from an interactionist perspective. Qualitative Health Research, 28(8), 1308–1319. https://doi.org/gdhg8t

Munn, Z., Peters, M. D. J., Stern, C., Tufanaru, C., McArthur, A., & Aromataris, E. (2018). Systematic review or scoping review? Guidance for authors when choosing between a systematic or scoping review approach. BMC Medical Research Methodology, 18, Artigo 143. https://doi.org/gfq8w2

Ordem dos Médicos. (2021). Esclarecimentos ao parecer jurídico a propósito da problemática da dita “violência obstétrica” e da publicação da Resolução da AR. https://bit.ly/3RwWlaz

Palharini, L. A. (2017). Autonomia para quem? O discurso médico hegemônico sobre a violencia obstétrica no Brasil / Autonomy for Whom? The medical hegemonic discourse about obstetric violence in Brazil. Cadernos Pagu, 49, 1–35 https://doi.org/jgx3

Poljak, A. V. (2009). La violencia obstétrica y la esterilización forzada frente al discurso médico. Revista Venezolana de Estudios de la Mujer, 14(32), 125–146. https://bit.ly/3RHPcEI

Queiroz, F. da S., Rodrigues, J. S., Silva, C. S., Betcel, N. L., Junior, A. M. de C., Azevedo, J. R. de O., & Valente, A. R. P. D. (2020). Violência obstétrica: Um problema de saúde pública e uma violação dos direitos humanos. Brazilian Journal of Health Review, 3(5), 14435–14445. https://doi.org/jf2z

Terán, P., Castellanos, C., González Blanco, M., & Ramos, D. (2013). Violencia obstétrica: Percepción de las usuarias. Revista de Obstetricia y Ginecología de Venezuela, 73(3), 171–180. https://bit.ly/3yoxJKJ

Trajano, A. R., & Barreto, E. A. (2021). Violência obstétrica na visão de profissionais de saúde: A questão de gênero como definidora da assistência ao parto. Interface — Comunicação, Saúde, Educação, 25, 1–16. https://doi.org/jf2x

Tricco, A. C., Lillie, E., Zarin, W., O’Brien, K. K., Colquhoun, H., Levac, D., Moher, D., Peters, M. D. J., Horsley, T., Weeks, L., Hempel, S., Akl, E. A., Chang, C., McGowan, J., Stewart, L., Hartling, L., Aldcroft, A., Wilson, M. G., Garritty, C., … Straus, S. E. (2018). PRISMA Extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR): Checklist and explanation. Annals of Internal Medicine, 169(7), 467–473. https://doi.org/gfd8vk

Williams, C., Jerez, C., Klein, K., Correa, M., Belizán, J., & Cormick, G. (2018). Obstetric violence: A Latin American legal response to mistreatment during childbirth. BJOG: An International Journal of Obstetrics & Gynaecology, 125(10), 1208–1211. https://doi.org/jf97

World Health Organization. (2018). WHO recommendations: Intrapartum care for a positive childbirth experience. World Health Organization. https://bit.ly/3SKADBw

Zanchetta, M. S., Santos, W. S., Souza, K. V. de, Pina, V. R., Hwu, H., Stahl, H., Argumedo-Stenner, H., Osei-Boateng, J., Zimmerman, R., Pena, É. D., Cabral, I. E., Carvalho, A. L. de O., Pereira, A. V., Vieira, B. D. G., Alves, V. H., Felipe, I. C. V., Guruge, S., Amant, O. St., Costa, E., & Escobar, H. P. V. de. (2021). Ampliando vozes sobre violência obstétrica: Recomendações de advocacy para enfermeira(o) obstetra. Escola Anna Nery, 25(5), Artigo e20200449. https://doi.org/jf2v

Downloads

Publicado

16-10-2022

Como Citar

Mendes, J. ., Sousa Santos , A. P., & Tavares, M. (2022). Perceções da violência obstétrica pelas parturientes e profissionais de saúde: uma revisão scoping. Revista Portuguesa De Investigação Comportamental E Social, 8(2), 1–15. https://doi.org/10.31211/rpics.2022.8.2.271

Edição

Secção

Artigo de Revisão