Desenvolvimento do Questionário de Motivações para Revelar/Não Revelar a Parentalidade Não-Genética por Doação de Gâmetas

  • Cristiana Marques Instituto Superior Miguel Torga
  • Ana Galhardo Instituto Superior Miguel Torga, Coimbra, Portugal | Centro de Investigação do Núcleo de Estudos e Intervenções Cognitivo-Comportamentais, Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal. http://orcid.org/0000-0002-3484-6683
  • Marina Cunha Instituto Superior Miguel Torga, Coimbra, Portugal | Centro de Investigação do Núcleo de Estudos e Intervenções Cognitivo-Comportamentais, Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal. http://orcid.org/0000-0002-5957-1903
  • Margarida Couto Instituto Superior Miguel Torga, Coimbra, Portugal http://orcid.org/0000-0001-8473-181X
Palavras-chave: gâmetas de dador, motivações para revelar, parentalidade, segredo

Resumo

A parentalidade constitui um objetivo muito valorizado, quer para os indivíduos, quer socialmente. Para casais com infertilidade este objetivo pode implicar tratamentos de infertilidade, alguns deles com recurso a gâmetas de dador. Para estes últimos, surge uma preocupação adicional: revelar à criança a origem da sua conceção ou manter segredo. Em Portugal a investigação relativa a este tema é escassa.

A presente investigação pretendeu desenvolver e estudar a validade facial do Questionário de Motivações para Revelar/Não Revelar a Parentalidade não Genética por Doação de Gâmetas (QMRDG), o qual se destina a avaliar as principais motivações que influenciam o processo de tomada de decisão dos pais que recorrem a gâmetas de dador relativamente a contar ou não contar ao/à seu/sua filho/a a origem da sua conceção.

Estudo exploratório conduzido numa amostra de 21 participantes, com idades entre os 30 e os 39 anos, que realizaram tratamento de infertilidade com recurso a gâmetas de dador e se tornaram pais. Os participantes preencheram um conjunto de questionários numa plataforma online.

O QMRDG revelou possuir validade facial não tendo sido apontada a existência de itens ambíguos ou de difícil compreensão. Os dados obtidos indicam que a maioria dos pais ainda não contou ao/à seu/sua filho/a sua origem genética devido ao facto de a criança ser ainda muito pequena, encontrando-se estes com intenção de revelar à criança. Dos pais que já contaram, as motivações que mais influenciaram a decisão basearam-se na falta de motivos para omitir, na importância dada à honestidade, no direito do conhecimento das origens genéticas e na transparência no seio familiar. Face às motivações para não contar, das que mais influenciaram os pais salienta-se a pouca importância dada à genética.

O QMRDG parece constituir um instrumento útil na prática clínica e na investigação com pessoas que estejam a realizar tratamentos de infertilidade com recurso a gâmetas de dador. No presente estudo, a tendência indicada pelos pais foi a de contar ao/à seu/sua filho/a a origem da sua conceção.

 

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Biografias Autor

Cristiana Marques, Instituto Superior Miguel Torga

Mestre em Psicologia Clínica, Ramo de Terapias Cognitivo-Comportamentais pelo Instituto Superior Miguel Torga.

Ana Galhardo, Instituto Superior Miguel Torga, Coimbra, Portugal | Centro de Investigação do Núcleo de Estudos e Intervenções Cognitivo-Comportamentais, Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal.

Professora Auxiliar e coordenadora do curso do 1º ciclo de Psicologia, Instituto Superior Miguel Torga, Coimbra, Portugal. Investigadora, Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental, Universidade de Coimbra. Psicóloga clínica.

Marina Cunha, Instituto Superior Miguel Torga, Coimbra, Portugal | Centro de Investigação do Núcleo de Estudos e Intervenções Cognitivo-Comportamentais, Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal.

Professora Auxiliar, coordenadora do curso do 2º ciclo de Psicologia Clínica e Presidente do Conselho Científico, Instituto Superior Miguel Torga, Coimbra, Portugal. Investigadora, Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental, Universidade de Coimbra. Psicóloga clínica.

Margarida Couto, Instituto Superior Miguel Torga, Coimbra, Portugal

Professora Auxiliar e coordenadora da Escola Superior de Altos Estudos, Instituto Superior Miguel Torga.

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Publicado
2017-02-28
Como Citar
Marques, C., Galhardo, A., Cunha, M., & Couto, M. (2017). Desenvolvimento do Questionário de Motivações para Revelar/Não Revelar a Parentalidade Não-Genética por Doação de Gâmetas. Revista Portuguesa De Investigação Comportamental E Social, 3(1), 2-13. https://doi.org/10.7342/ismt.rpics.2017.3.1.35
Secção
Artigo Original